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Poliesportivo está construído sobre nascentes e uma bacia hídrica

Texto: Roberta Garrido
Fotos: Giovane Ropelli

Matéria publicada Jornal Tribuna Hoje e Portal Umuarama



Há cerca de 10 anos iniciou-se a construção de uma das obras que mais geraram críticas e transtornos para a população de Umuarama. Edificado sobre um terreno que até então era um grande buraco, o Centro Poliesportivo tinha como objetivo principal servir como fonte de esporte e lazer às famílias, o que nunca chegou a acontecer.
Durante vários anos, o local foi alvo de reclamações em relação ao seu abandono. Inutilizado, ele tornou-se ponto de usuários de drogas e estada dos moradores de rua.
Além da estrutura do local ter sofrido com as depredações e com a falta de manutenção durante todos esses anos, em novembro de 2011 devido a fortes chuvas, parte de seu campo e arquibancada desabaram, formando a primeira cratera do Poliesportivo, um buraco que hoje mede aproximadamente 40 metros de diâmetro e 10 metros de altura.
Chuvas posteriores ao fato contribuíram para que novas crateras aparecessem. Desde então, estudos e previsões de reparo foram divulgados pela Prefeitura. O motivo apresentado era de que os tubos ármicos não teriam suportado a vazão da água.
ESTUDO
Três alunos que cursam o último ano do curso Controle Ambiental no Instituto Federal do Paraná (IFPR) levantaram questões importantes sobre o Centro Poliesportivo. Despretensiosamente, os acadêmicos desenvolveram um estudo sobre o Rio Pinhalzinho em seu projeto de conclusão de curso, o que facilmente os levou a várias conclusões. “Percebemos que o Rio Pinhalzinho estava sofrendo muito com assoreamento e poluição. Seguindo o córrego vimos que a terra era proveniente do Poliesportivo”, explica um dos acadêmicos, João Paulo Primo Sarann.
No terreno em que o campo foi construído está localizada a nascente do Pinhalzinho, além da bacia hídrica do Rio Goioerê. “Quando o Poliesportivo foi edificado, o local teve que ser aterrado e mesmo com a terra o percurso da água continua no subsolo”, destaca Sarann.
Os tubos ármicos de tamanho e qualidade inferior à vazão da água foram a mola propulsora para o problema das crateras. “Entramos nas tubulações e vimos que a situação dos tubos é precária”, conta Sarann.
INVESTIGAÇÃO
As descobertas fizeram com que os acadêmicos focassem seu estudo sobre os impactos ambientais causados por essa construção. Constataram que o terreno do Poliesportivo é uma Área de Preservação Permanente Ambiental, e que, além disso, há leis específicas de preservação de mananciais e bacias hídricas que não foram respeitadas.
O trabalho dos acadêmicos ganhou grande repercussão e a análise realizada pelos futuros técnicos ambientais foi apresentada ao Ministério Público. A Promotoria de Meio Ambiente está instaurando um inquérito sobre a situação. “Para que acontecesse a construção, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) teve que emitir uma licença ambiental autorizando a Prefeitura a efetuar a edificação. A Prefeitura, por sua vez, precisou apresentar um projeto antes mesmo de aterrar”, explica o acadêmico Alaílço Silvestre.
Os estudantes ainda levantam a hipótese de conter poluentes químicos vindos de empresas próximas à nascente do Rio Pinhalzinho.
PROMOTORIA
O promotor de Meio Ambiente, Marcos Antonio de Souza, informou que foi expedido um ofício para a Prefeitura ainda na sexta-feira. “Instauramos um procedimento administrativo e neste primeiro momento solicitaremos o projeto da obra para a Prefeitura e as licenças ambientais para o IAP. Assim que recebermos o material, será realizado um estudo. Consequentemente também será visto se houve improbidade”, destaca o promotor.
Em contato com a Prefeitura, o assessor de imprensa Eduardo Santos informou ainda não ter tomado conhecimento sobre o ofício, mas que há projetos para o local. “A Prefeitura tem um projeto de recuperação do Poliesportivo orçado em aproximadamente R$ 2 milhões, tanto para readequar os problemas, quanto para reformá-lo”, disse Santos.
Os acadêmicos do IFPR procuraram o IAP esta semana em busca das licenças ambientais, porém, não obtiveram êxito. O IAP, no entanto, afirmou que a busca pelo documento leva certo tempo. “O documento foi expedido há uns 10 anos e na época era realizado manualmente. Por isso, é provável que levemos alguns dias para localizar”, explicou o chefe do escritório regional do IAP de Umuarama, Geraldo Magela.

 

Soluções
Segundo os estudos dos acadêmicos de tecnologia em Controle Ambiental, João Paulo Primo Sarann, Alailço Silvestre e Mariana Caroline Pelissari, o antigo e popularmente conhecido “Buraco da Manezinho”, não poderia possuir edificações sobre sua superfície. “A situação deste terreno não suporta construções sobre ele e muito menos edificações que contenham um grande número de pessoas”, destaca Sarann.
Para os alunos, a melhor alternativa para utilizar o terreno seria um bosque no estilo japonês. “Não há mais possibilidade de reparar o que existe no Poliesportivo. O que for feito no local, provavelmente não terá eficácia a menos que em toda a sua volta sejam colocadas centenas de árvores com grandes raízes”, explica o acadêmico.

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