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Crianças e adultos provam que é possível viver sem preconceito

 

Texto: Roberta Garrido

Fotos: Giovane Ropelli

Matéria publicada Jornal Tribuna Hoje e Portal Umuarama



Boné, shorts, sorriso cativante e uma pinta de artista. Essas são as primeiras impressões quando se conhece Alonso da Mata Lacerda da Cunha, 23 anos. Destaque nas apresentações culturais da Escola de Educação Especial Nice Braga (Apae) de Umuarama, o jovem portador de Síndrome de Down, chegou à escola com apenas cinco meses de idade, e desde então prova à sociedade que é possível levar uma vida normal, ou talvez nem tão normal assim, até porque, vida de instrumentista não é simples.
“Eu toco bateria, berrante e também gosto de violão”, conta orgulhoso Alonso. A paixão pela música começou desde cedo, mas foi dentro da escola que o interesse pela bateria foi despertado. “O Alonso sempre gostou muito de música. Ele conheceu alguns instrumentos aqui na escola, e gostou muito da bateria. Contratamos um professor, e faz poucos dias que ele começou a ter aulas. Temos uma bateria em casa e ele toca diariamente”, conta a mãe de Alonso, Guiomar Rodrigues da Mata da Cunha.
Quando o jovem nasceu, dona Guiomar já tinha uma filha de dois anos. A constatação da síndrome foi percebida somente após o parto, e gerou susto no médico. “Alonso foi a primeira criança Down que o doutor fez o parto. Quem me deu a notícia foi a pediatra. No começo fiquei assustada, mas logo depois passou. O amor de mãe faz a gente superar tudo”, relembra Guiomar. O primeiro conselho que ela recebeu foi no dia em que foi retirar os pontos da cirurgia da cesárea. Orientaram-na a procurar uma escola especial, e então, com poucos meses de vida, Alonso já havia começado a ter acompanhamento especializado na instituição que permanece até hoje.
Mesmo com dificuldade para leitura, o jovem se comunica normalmente, além de ter um ótimo raciocínio. “Ele é dorminhoco, acorda sempre tarde, diz que quer casar. Não gosta de rua e se relaciona bem com as pessoas. Tem os amiguinhos da escola e da igreja, além de ser muito carinhoso. Ele é uma benção na minha vida”, conta a mãe.
AINDA NO COMEÇO
A primeira professora de Alonso, hoje é a mesma de Maria Clara Pais, de um ano e três meses de idade. A bebê de sorriso fácil também é portadora de Síndrome de Down, e a descoberta, assim como a do jovem, só ocorreu depois de seu nascimento. Mas ao contrário do que há 23 anos, casos como o de Maria Clara e Alonso, já se tornaram comuns e as informações mais acessíveis. “Levei um susto com a notícia. Mas já havia convivido com uma criança com a síndrome e sabia como era. Já estava acostumada. Com três meses de idade já trouxe ela para escola”, conta a mãe de Maria Clara, Josiane Pais de Oliveira. 
A mãe de 23 anos fica a tarde inteira na Apae aguardando a filha. “Muda completamente a rotina. De manhã ficamos em casa, e de segunda a sexta-feira venho com ela para a escola na parte da tarde”, conta Josiane, que também é mãe de outra menina de quatro anos. “As duas se amam, brincam muito. Uma faz muito bem para a outra. Minha outra filha estuda na parte da tarde em outra escolinha, enquanto fico com a Maria Clara aqui na Apae”, relata ela.
Mesmo ainda não andando, Maria Clara apresenta uma evolução motora significativa. “Ela já fica em pé. Brinca muito e é super inteligente. Adora música e quando ouve, já começa a dançar”, conta Josiane.
Quando questionada sobre o futuro de Maria Clara, Josiane não hesita. “O que eu sonho pra ela é igual ao que sonho pra minha outra filha. Quero que ela faça tudo que qualquer outra menina da idade dela fizer. Quero que saia, namore, se divirta, trabalhe, estude. Ela é o presente de Deus na minha vida”, relata a mãe.
EDUCAÇÃO
Dos cerca de 250 alunos da Escola de Educação Especial Nice Braga, 45 são portadores da Síndrome de Down. A escola, além de oferecer o ensino pedagógico, tem à disposição o trabalho de uma equipe multidisciplinar. “O portador da Síndrome de Down apresenta dificuldades no desenvolvimento motor, na linguagem. E por isso necessita do acompanhamento de alguns profissionais, como a fonoaudióloga”, explica a coordenadora pedagógica da Apae, Sheila Mara Pessini.
O trabalho pedagógico realizado dentro da escola especial respeita as especificidades de cada aluno. “Como as turmas são menores, nós conseguimos explorar e trabalhar as características e dificuldades de cada um deles. Além disso, eles têm um atraso no aprendizado, precisam de mais tempo e nós também seguimos esse tempo, dentro de cada faixa etária”, explica a coordenadora.
Quanto mais cedo o portador da síndrome ingressar no ensino especial, melhor será para seu desenvolvimento. “Hoje é possível um portador de Down ter uma vida normal, dentro de algumas limitações. A expectativa de vida é igual”, diz Sheila.
Para a professora da Apae, Regina Pereira da Silva, a participação da família é muito importante. “A família faz toda a diferença no desenvolvimento dessas crianças. Deve haver apoio e base familiar”, ressalta Regina, que já leciona na instituição há 26 anos.

Preconceito

Tanto a mãe de Alonso, como a de Maria Clara, enfatizam que o preconceito apesar de existir, é muito pqeueno. Para elas, as pessoas já detêm um conhecimento sobre a síndrome e por isso, não demonstram rejeição. “Quando existem campanhas sobre deficiências intelectuais, sempre são escolhidos os portadores de Síndrome de Down. A população já está acostumada com eles. Hoje as informações já estão mais acessíveis”, explica a coordenadora Sheila.

Síndrome de Down
É uma síndrome genética causada pelo excesso do cromossomo 21. Ao invés de apresentaram dois cromossomos 21, o portador apresenta três, por isso também é conhecida como Trissomia 21. Ela é caracterizada por uma combinação de diferenças na estrutura corporal e facial. A Síndrome de Down está associada a dificuldades nas habilidades cognitivas e desenvolvimento motor. O portador apresenta um retardo mental moderado. Além disso, são extremamente afetuosos e carismáticos.

 

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